Governo e Nações Unidas reafirmam compromisso de paz assinado há um ano
O
Governo da República Centro-Africana (RCA) e as Nações Unidas reafirmaram esta
quarta-feira o compromisso com o acordo de paz assinado há um ano e recordaram
os "múltiplos desafios" que o país enfrenta.
"Reitero
a determinação do Governo em implementar firmemente os compromissos contidos no
Acordo Político para a Paz e Reconciliação na República Centro-Africana",
disse esta quarta-feira o ministro da Comunicação e porta-voz do executivo, Ange Maxime Kazagui,
que recordou a necessidade de consolidar as conquistas do acordo.
Ange Maxime Kazagui falava
hoje, em Bangui, durante uma conferência de imprensa conjunta com a Missão das
Nações Unidas para a República Centro Africana (Minusca), na véspera da data
que assinala a passagem de um ano sobre assinatura do documento, em 06
de Fevereiro de 2019.
O
acordo assinado pelo executivo da RCA e por 14 grupos armados abriu
caminho à formação de um Governo conjunto.
Por
seu lado, o porta-voz da Minusca, Vladimir Monteiro, congratulou-se com os
compromissos assumidos pelas autoridades do país e prestou homenagem a todas as
vítimas dos conflitos, especialmente as registadas depois de 06
de Fevereiro de 2019.
"A Minusca continuará
a trabalhar com as garantias da União Africana e Comunidade Económica dos
Estados da África Central (CEEAC), Governo e outros parceiros para
aplicar o acordo e proteger a população civil", disse.
O
porta-voz do Governo sublinhou os progressos alcançados, nomeadamente o regresso
da autoridade do Estado a algumas localidades, o destacamento de forças de
segurança para o interior ou a operação de desarmamento e desmobilização, que
envolveu 1.321 combatentes, incluindo 81 mulheres, pertencentes a oito grupos
armados.
A
mesma fonte apontou, no mesmo sentido, os avanços legislativos referentes à
descentralização e ao estatuto dos antigos chefes de Estado e dos partidos.
Reconhecendo
que os incidentes e actos de violência sobre as populações
diminuíram, Ange Maxime Kazagui considerou que estes
continuam a ser demasiados e pediu que cada um "seja consequente com a sua
assinatura do acordo para que o país possa caminhar para a paz".
O
porta-voz da Minusca assinalou também os "numerosos
progressos", exortou os grupos armados a respeitarem os compromissos e
convidou todos os centro-africanos a apoiarem o acordo de paz.
"Se
existe a necessidade de reconhecer os dividendos, que são resultado da
confiança entre as partes signatárias, agora não é o momento para complacência.
A Minusca denuncia e condena a violência e os repetidos atentados
contra os direitos humanos por parte dos grupos armados", afirmou.
Vladimir
Monteiro informou ainda que, cumprindo o mandato de coordenação eleitoral
da Minusca, irá trabalhar com o Governo na mobilização dos recursos
necessários para a organização das eleições de 2020-2021.
A RCA caiu
no caos e na violência em 2013, depois do derrube do
ex-Presidente François Bozizé por grupos armados juntos na
coligação Séléka, o que suscitou a oposição de outras milícias, agrupadas
sob a designação anti-Balaka.
Portugal
está presente na RCA desde o início de 2017, no quadro
da Minusca, com a 6.ª Força Nacional Destacada (FND) e militares na Missão
Europeia de Treino Militar-República Centro-Africana.
A
6.ª FND, que tem a função de Força de Reacção Rápida, integra
180 militares, na sua maioria paraquedistas, pertencendo 177 ao Exército e
três à Força Aérea.
Na RCA,
estão também 14 elementos da Polícia de Segurança Pública.
Globalmente,
a Minusca integra cerca de 12.900 militares e polícias.

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